top of page

Impossível colocar nome em mim mesmo

  • Foto do escritor: josé francisco silva ferreira
    josé francisco silva ferreira
  • 7 de nov. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 7 de abr. de 2025

Pronto o pior já passou, vida que segue!

Agora é retornar e depois desse tempo tenebroso por o lado sensível no prumo.

Minha vida foi sempre permeada por política, literatura e música.

Então é isso que vou tentar à partir de agora com mais afinco.

Prá começar gostaria de mostrar uma letra e música linda que me acompanha por esses últimos anos.

A música se chama "Atrás Poeira" de autoria de Rafael Altério e interpretação dele e do Ivan Lins.





Vim prá cidade grande, mas nunca deixei de ser um sujeito caipira.


Essa obra prima me faz sentir o personagem principal da história, por mais que tente virar um intelectual, o que sempre me pegou foram as coisas simples mesmo, gosto de um baraio, sempre andei atrás de muié bonita, apesar de ser meio feinho.

A vida não quis muito que achasse a muié bonita que me acompanhasse para sempre, as cachaça e as que passaram pela minha vida por breves tempos sempre foram as únicas no tempo que existiram e resistiram a me acompanhar nessa estrada.

Sempre restou o José de porre, passado também, pois hoje num dá mais prá ficar de porre.

Ganhei dinheiro, mas nunca guardei!

E fui caminhando, e esse mundo atrapaiado que criei prá mim mesmo foi se alastrando através do tempo, a idade chegou, as lembranças ficaram, esse país se transformou numa coisa doida, cheio de raivas e diferenças que eu não via ou não enxergava antigamente.

E fez mais, fez conhecer muita gente boa, outras nem tanto e fui me construindo do jeito que sou hoje, solitário, meio descrente e com fé no que eu acredito.

E num é que a vida prepara algumas surpresas, e num é que quase eu acho de novo a vontade de andar a cavalo, baraio na algibeira e viola pra cantar umas canções de antigamente, quando achava que sozinho ninguém ficava?

Mas esse país tá bem diferente, só oiá e gostá não é mais suficiente, agora tem uns tal conceito que diz prá gente direitinho o que estava escondido no íntimo das pessoas e que são impossíveis de conviver, o tal dos preconceitos, você olha, gosta ,se aproxima e começa a conhecer!

Ahhhhhhhhh... meu amigo, como hoje aquilo que era escondido, foi tudo escancarado, você toma uns tombo, por não estar acostumado com esse tipo de preconceito que você se achega, gosta e depois vê que não tem outro jeito, se afastar é a única saída.

Sou filho de uma negra e um nordestino, venho de uma mãe costureira e pai pedreiro, que fizeram de tudo prá dar tudo que precisava, e por tudo isso me saí assim, meio estranho, por não entender o porque a gente era sempre tratado diferente, na escola, na rua, mas fui ler, sempre lendo, como fazia minha mãe, lia feito doida, e fui fazer a mesma coisa, e fui um pouco mais longe, fui tentar saber como se dá o lucro do patrão, o que é trabalho e me deparei com a luta de classes.

Meu amigo esse caipira quase caiu de costa!

Descobri que se não tivesse descoberto quem eu sou nessa sociedade onde o capital define o que você é, para além disso, de onde vem, não teria atinado que gente como eu num tem muita chance de ser incluído em cantos onde você não pertence! Rapaz, decidi lutar prá pelo menos contribuir para que todos tivessem seus direitos iguais, e quanta encrenca arranjei meu irmão, mas um dia eu conto!

Mas o tempo passou, agora a pouco a política voltou com tudo, se não é política é uma imitação bem ruim dela, muita separação, briga, raiva, aquilo que era escondido hoje te mandam pro campo de concentração com a maior naturalidade, se você não aceitar ser mais um na massa de manobra religiosa ou qualquer outro tipo de submissão que inventaram.

E aí, decidi, como antigamente colocar algumas ideias no papel, com essa nova versão de sociedade, de seus caminhos, dos seus paradigmas, das raivas da classe média, que quer matar o pobre prá ficar mais perto do rico.

E comigo não tem jeito, é assim que vivo, política, literatura e música, acho que mudei muito pouco nos últimos tempos, minha solidão continua sendo a minha solidão, e a minha vida?

Minha vida sempre foi atrás poeira...

Num tem sentido mais o seu retrato...

Sou eu, meu baio e nada mais!


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
METAMORFOSE II

Como tudo pudesse morrer Como tudo pudesse nascer Esperanças que se foram Esperanças que nascem Tudo por um momento  De sonho que se vai...

 
 
 
METAMORFOSE I

Solidão Imensidão  Solução A solução de cada dia Dicotomia! Que a cada dia Arrancasse da gente Os dentes. E te deixasse nu. Nu sem...

 
 
 

Comentários


  • Twitter
  • LinkedIn

©2021 por DIVINA COMÉDIA HUMANA - XIKOLOCO. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page